Aquecimento Oscar: as décadas de 1950, 60 e 70

É difícil resumir em apenas 10 filmes 3 décadas tão cheias de filmes maravilhosos como foram as décadas de 1950, 1960 e 1970. Muitos destes filmes são cultuados até hoje por legiões de fãs, como A Noviça Rebelde, O Poderoso Chefão e Rocky. Foram as décadas também de grandes estrelas sobre as quais qualquer amante do cinema fala muito, como Bette Davis, Marlon Brando, James Stewart, Peter O’Toole, Sidney Poitier… Bem, poderíamos passar horas aqui falando sobre isso. Mas vamos direto ao que interessa: aos filmes!

 

DESTAQUES DA DÉCADA DE 1950

Entre os vencedores do Oscar de melhor filme da década de 1950, os filmes seguintes são alguns dos mais lembrados.

 

Sindicato de Ladrões
(dirigido por Elia Kazan | EUA, 1954)
Minha nota: ★★★★★★★★★☆ [9]

Filme forte sobre a luta de trabalhadores contra a tirania e corrupção de uma gangue que toma conta do sindicato. A cena final é uma coisa linda, de arrepiar. Esse filme rendeu o primeiro Oscar ao Marlon Brando, e ainda levou mais 7 outras estatuetas. Excelente!

 

A Ponte do Rio Kwai
(dirigido por David Lean | Reino Unido, 1957)
Minha nota: ★★★★★★★★★☆ [9]

Um batalhão inglês capturado pelos japoneses vive sob o domínio do inimigo e é obrigado a construir uma ponte ferroviária sobre o rio Kwai. Porém, os aliados tem outras ideias sobre o que fazer com ela.

Excelente filme, de apuro técnico, atuações maravilhosas, um roteiro que se desenrola bem apesar do longo tempo de filme (mas que mal se percebe passar) e um final de deixar qualquer um sem ar. Gostei muito mesmo. E aquela marcha assobiada é um clássico eterno.

 

Ben-Hur
(dirigido por William Wyler | EUA, 1959)
Minha nota: ★★★★★★★★★★ [10]

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Quem assistiu a refilmagem de 2016, por favor, delete aquilo da sua memória. O Ben-Hur de 1959 é absurdamente melhor… é grandioso e incrível! A história do príncipe judeu que é traído por seu melhor amigo, um romano, e acaba vivendo anos como escravo, sem ter notícias de sua mãe e irmã que foram presas em uma masmorra se torna muito mais especial nessa versão mais antiga. Aqui o espectador realmente consegue torcer por Judah Ben-Hur, vivido lindamente por Charlton Heston (que mereceu cada partícula dourada do Oscar que levou) e ter verdadeiro desprezo pelo vilão Messala. Até mesmo a cena do torneio de cavalos é tão se não mais eletrizante que a do filme mais moderno. O interessante é que, apesar de mais curto, o Ben-Hur de 2016 enche muito mais linguiça do que esta obra-prima. Bom, já disse, tá aí: obra-prima total.

 

MENÇÃO HONROSA: A Malvada, de Joseph L. Mankiewicz (1950) (eu já falei dele aqui).

 

DESTAQUES DA DÉCADA DE 1960

Uma década cheia de musicais inesquecíveis e dramas grandiosos. Vale a pena conferir de um a um.

Lawrence da Arábia
(dirigido por David Lean | EUA, 1962)
Minha nota: ★★★★★★★★★☆ [9]

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A história do oficial inglês que liderou os árabes contra s turcos na I Guerra Mundial. É possível que eu não tenha dado 10 pois vi depois de Ben-Hur, que mexeu muito comigo (vi em dias diferentes, mas sem intercalar com outro filme). Sim, eu adorei Lawrence e sou capaz de dar dois 10 seguidos, mas ele teria que ter mexido comigo tanto quanto ou mais que Ben-Hur, o que não foi o caso.

A fotografia é provavelmente uma das mais bonitas da história do cinema e Peter O’Toole, em seu primeiro papel importante, carrega esse épico com uma elegância e um talento assustadores. O 9 se deve a uma parte aqui e outra ali que me incomodaram no desenvolvimento. Mas é muito maravilhoso.

 

A Noviça Rebelde
(dirigido por Robert Wise | EUA, 1965)
Minha nota: ★★★★★★★★★★ [10]

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Como não amar Julie Andrews e sua doce Maria, noviça de espírito tão livre que vai trabalhar cuidando dos 7 filhos do rígido viúvo Capitão Von Trapp. Com certeza é um dos musicais mais icônicos e lindos que existem.

As paisagens lindas da Áustria dão um toque mais que especial e se juntam lindamente com a direção de arte e figurinos maravilhosos. Não tem como explicar muito, esse filme é puro sentimento. Quem gosta de musicais, vai amar. Quem não gosta, vai pelo menos lembrar da infância.

 

No Calor da Noite
(dirigido por Norman Jewison | EUA, 1967)
Minha nota: ★★★★★★★☆☆☆ [7]

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Se eu estiver errada, alguém me corrija, mas eu acho que esse foi o primeiro filme com protagonista negro a ganhar o Oscar de Melhor Filme. Um policial negro acaba envolvido em uma investigação de assassinato em uma cidadezinha do Mississippi que, como muitas cidades do sul dos EUA, tem um nível de racismo muitíssimo elevado.

Acho que faltou explicar um pouco melhor como o policial vivido por Sidney Poitier chegou a determinadas conclusões e também um desenvolvimento melhor dos personagens secundários. Tirando isso, o filme é muito bom e os dois protagonistas formam uma excelente dupla. É o filme que Poitier mais gostou de fazer.

 

MENÇÃO HONROSA: Amor, Sublime Amor, de Jerome Robbins e Robert Wise (1961)

 

DESTAQUES DA DÉCADA DE 1970

Esses filmes quarentões são alguns dos mais queridos e famosos da história.

O Poderoso Chefão
(dirigido por Francis Ford Coppola | EUA, 1972)
Minha nota: ★★★★★★★★★★ [10]

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A história da família Corleone e seu patriarca, Don Vito Corleone. O Poderoso Chefão é o que todo filme de máfia gostaria de ser: tenso, surpreendente, envolvente, emocionante. Tudo no filme é marcante, desde a construção textual do roteiro, a forma como o filme foi montado, a fotografia, a trilha sonora e, claro, a direção e as atuações. Todas as sequências, sejam de ação ou de desenvolvimento dos personagens tem muito valor para a história.

 

Um Estranho no Ninho
(dirigido por Milos Forman | EUA, 1975)
Minha nota: ★★★★★★★★★★ [10]

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Ao ser pego, um criminoso alega problemas mentais e é internado em um hospital psiquiátrico. Mas, claro, ele não se adapta às regras e à opressão do lugar e começa a incitar os outros pacientes a se rebelarem.

Um Jack Nicholson na sua melhor forma, além do restante do elenco, e uma história linda de morrer. Esse vencedor de 5 estatuetas vale cada segundo e está merecidamente em todas as listas de melhores filmes já feitos.

 

Rocky: Um Lutador
(dirigido por John G. Avildsen | EUA, 1976)
Minha nota: ★★★★★★★★★☆ [9]

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Por um bom tempo da minha vida, eu achei que não fosse gostar desse filme e por isso nunca movi um dedo para vê-lo. Cheguei a achar que fosse um filme meio para brucutu, casca grossa… eu estava bem redondamente enganada. Rocky é um lutador de boxe de coração mole, mas muito determinado. E ele precisa enfrentar o grande campeão Apollo Creed para ganhar respeito no esporte. Ótimo filme e a cara dos anos 1970.

 

Noivo Neurótico, Noiva Nervosa
(dirigido por Woody Allen | EUA, 1977)
Minha nota: ★★★★★★★★★★ [10]

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Um comediante quarentão e divorciado se apaixona por uma aspirante a cantora chamada Annie Hall. Ele acredita piamente que, depois de muitos anos de terapia para entender o que deu errado em seus relacionamentos anteriores, pode facilmente fazer o relacionamento com Annie dar certo. Isso dá lugar a diversas reflexões, algumas bem cômicas, como é comum nos filmes do Woody Allen. Mais um monte de neuroses deliciosas para explorar, com um elenco que é só amor.

 

MENÇÃO HONROSA: O Franco Atirador, de Michael Cimino (1978)

Na próxima, vamos chegar em décadas bem mais recentes e constatar que também existem clássicos mais novos.

Roseana Marinho

Roseana Marinho

Publicitária, desde a adolescência apaixonada pela sétima arte, opina e debate sobre as obras cinematográficas. Ama literatura, astronomia e história e é tão eclética que faz ballet clássico e kung fu. Nas horas vagas, além dos filmes, também vê muitas séries.

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