Aquecimento Oscar: Os primeiros vencedores da história

O dia 26 de fevereiro está chegando e com ele vem aí o Oscar. Pois é! Falta menos de um mês para uma das premiações mais importantes da indústria do cinema. Está na hora de aquecermos as turbinas. Vamos falar dos principais indicados nos próximos dias, mas também faremos uma viagem pela história dos prêmios da Academia. Bora?

OS PRIMEIROS VENCEDORES

O primeiro Academy Awards aconteceu em 16 de maio de 1929, em uma transmissão de cerca de 5 minutos pelo rádio.

Hoje vamos falar dos dois primeiros ganhadores da categoria que chamamos atualmente de Melhor Filme. Mas não, não foi um empate. É que na época essa categoria era dividida em duas: o prêmio de “Melhor Produção” foi para Asas, enquanto o de “Melhor Qualidade Artística de Produção” ficou com Aurora.

Asas
(dirigido por William A. Wellman | EUA, 1927)
Minha nota: ★★★★★★★★★☆ [9]

Jack Powell sonha em ser piloto. Sua vizinha, Mary Preston, é apaixonada por ele, mas Jack só tem olhos para Sylvia. David Armstrong, rapaz de uma das famílias mais ricas da cidade, também é apaixonado por Sylvia, mas este sim, é correspondido. Com a entrada dos Estados Unidos na I Guerra Mundial, os dois rapazes se alistam para defender seu país como pilotos, e acabam se tornando grandes amigos. Grandes amigos que dividem tudo um com o outro, menos algum segredo que possa magoar seu grande companheiro de batalha.

Apesar de ser um filme mudo e longo, é absurdamente empolgante. Não consegui desgrudar os olhos e passou rapidinho. Este longa tem de tudo: uma ótima história de amizade e companheirismo, uma pitada de romance, cenas de guerra inacreditáveis para a época, passagens de comédia e drama. O casamento da trilha com a trama dá o tom perfeito a cada cena. O mais incrível é se pensarmos que Asas foi produzido na década de 1920.

Ah, e uma curiosidade: estima-se que o filme custou 2 milhões de dólares, o que hoje é um trocado para um grande estúdio de Hollywood – mas na época era um baita orçamento.

Aurora
(dirigido por F.W. Murnau | EUA, 1927)
Minha nota: ★★★★★★★★★★ [10]

Filme lindíssimo que conta a história de um homem do interior se encanta por uma mulher da cidade grande. Ela pede para que ele abandone tudo e vá com ela para a cidade e sugere que ele mate sua esposa afogada no rio. Duas forças começam a lutar dentro dele. Será que ele é capaz de cometer tamanha loucura para fugir com a amante? Assassinar tão sordidamente sua mulher, a quem um dia ele amou tanto, é uma ideia que gera mais conflitos internos do que ele poderia imaginar.

Esse filme também é mudo, mas é bem mais curto que Asas. Passei o tempo todo com o coração na boca, porque a história é linda e ao mesmo tempo revoltante e de partir o coração. De um valor poético magistral, de verdade! Sim, caiu um cisco no ato final.

Os efeitos de sobreposição utilizados no filme foram genialmente criados com a própria câmera, utilizando o mesmo frame duas vezes e bloqueando a parte onde já tinha imagem. Muitas palmas para a criatividade dos cineastas da era pré-digital! Criatividade no seu mais puro estado.

Na época da estreia, o filme não foi muito apreciado pelo público. Apenas um mês antes, o primeiro filme falado, O Cantor de Jazz, havia maravilhado multidões e, então, as pessoas não queriam mais saber de filmes mudos. Não sabiam o que estavam perdendo.

 

O ÚLTIMO VENCEDOR DA DÉCADA DE 1920

Em abril de 1930, a categoria já tinha o nome como chamamos hoje, Melhor Filme. O primeiro filme falado a vencer essa categoria no Oscar foi também o primeiro musical ganhador da estatueta.

Melodia da Broadway
(dirigido por Harry Beaumont | EUA, 1929)
Minha nota: ★★★★★★☆☆☆☆ [6]

Duas irmãs tentam se dar bem na Broadway como um dueto, mas o destino prega algumas peças e um triângulo amoroso é formado.

O primeiro filme falado vencedor do Oscar é um romance musical mais bobinho, ainda que tenha um certo ar encantador. O tio gago vivido por Jed Prouty rende algumas risadas e as atrizes Anita Page e Bessie Love são bem carismáticas. Isso é que ainda faz o filme funcionar e ser agradável.

A grande inovação aqui, para a época, era mesmo o filme ser primeiro musical totalmente falado – não apenas no Oscar, mas na história do cinema. Resultado: foi o filme de maior bilheteria de 1929. Tirando isso, realmente o filme realmente não tem nada de muito especial além da simpatia.

 

E aqui se encerra esse capítulo da história. Partiu, década de 1930?

Roseana Marinho

Roseana Marinho

Publicitária, desde a adolescência apaixonada pela sétima arte, opina e debate sobre as obras cinematográficas. Ama literatura, astronomia e história e é tão eclética que faz ballet clássico e kung fu. Nas horas vagas, além dos filmes, também vê muitas séries.

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