Aquecimento Oscar: os vencendores dos últimos anos

Já é amanhã que vamos conhecer os vencedores do Oscar. Já começa até a bater aquela saudade da temporada de premiações. Há quem defenda que, analisando os ganhadores dos últimos anos, é possível ter uma noção melhor de quem deve ganhar a estatueta mais cobiçada da noite do próximo domingo, a de Melhor Filme. Será?

Para isso, eu convido vocês a uma rápida análise dos últimos 6 vencedores do Oscar de Melhor Filme.

 

O Discurso do Rei

(dirigido por Tom Hooper | Reino Unido, 2010)

Minha nota: ★★★★★★★★☆☆ [8]

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Para resumir, o filme é basicamente sobre a luta contra a gagueira do Rei Jorge VI, quando ele subiu ao trono porque seu irmão mais velho resolveu que não queria ser rei.
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Não acho um filme ruim, mas muita gente reclama da direção do Tom Hooper e que, tirando a atuação de Colin Firth e Geoffrey Rush, o filme não tem nada de especial. Isso é verdade. Foi um ano de muitos filmes maravilhosos e foi um tanto assustador ver o frio longa de Tom Hooper levando o Oscar. Lição: a Academia ama filmes históricos.

 

Achei que mereceu? Não.

Quem era o principal oponente: A Rede Social.

Quem eu queria ver vencendo: Cisne Negro.

 

O Artista

(dirigido por Michel Hazanavicius | França, 2011)

Minha nota: ★★★★★★★★★★ [10]

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Contrariando tudo o que se podia imaginar, Mais de 80 anos depois de o último filme mudo e em preto e branco levar a estatueta de Melhor Filme para casa, vem O Artista para abalar as estruturas da Academia. Uma homenagem ao próprio cinema, o filme conta a história do ator George Valentin que se encanta com a dançarina Peppy Miller. Mas, a chegada da era dos filmes falados levam suas carreiras a caminhos bem diferentes.

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A nostalgia pura e o carisma absurdo dos personagens venceu neste ano. O filme traz tudo o que faz o coração da Academia bater mais forte: romance, uma pitada de drama, uma comédia totalmente clássica e aquele bom e velho tapinha nas costas deles mesmos. O filme é lindo mesmo e muito gostoso de assistir.

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Achei que mereceu? Sim.

Quem era o principal oponente: Praticamente não tinha concorrência. Vinha levando tudo desde que estreou em Cannes, até o cachorrinho Uggie ganhou prêmio do festival.

Quem eu queria ver vencendo: O próprio.

 

Argo

(dirigido por Ben Affleck | EUA, 2012)

Minha nota: ★★★★★★★★★☆ [9]

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Em 1980, um agente da CIA embarca em uma perigosa operação para resgatar seis americanos em Teerã, fazendo com que todos se passem por uma equipe de produção cinematográfica de Hollywood.

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Filme que mistura tensão e sarcasmo na medida certa, Argo é também um vencedor que envolve o próprio mundo do cinema e, como a maioria dessa década em que estamos, também é baseado em fatos reais. Ben Affleck dirigiu e atuou no longa e, para surpresa e revolta de muita gente, sequer foi indicado por seu ótimo trabalho atrás das câmeras. Isso causou um grande bafafá e é até possível dizer que ajudou a impulsionar ainda mais o filme rumo à estatueta dourada.

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Achei que mereceu? Sim.

Quem era o principal oponente: Foi um ano equilibrado, mas tínhamos Amor e O Lado Bom da Vida bem cotados.

Quem eu queria ver vencendo: Concordo com a escolha, embora ame Indomável Sonhadora. Amor também seria bem justo.

 

12 Anos de Escravidão

(dirigido por Steve McQueen | EUA, 2013)

Minha nota: ★★★★★★★★★☆ [9]

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Baseado em uma história real, conta como Solomon Northup, um homem negro e livre, foi sequestrado e vendido como escravo, tendo passado 12 anos lutando pela sobrevivência e para ter de volta sua liberdade.

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É o que chamamos de “um filme importante”. É uma história fortíssima, com cenas chocantes e uma atuações que chegam a ser dolorosas de tão reais, principalmente a de Lupita Nyong’o, vencedora mais que merecida do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Um filme que toca na ferida ainda aberta que é a escravidão e o racismo. Para chorar, se revoltar e refletir.

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Achei que mereceu? Sim.

Quem era o principal oponente: Gravidade.

Quem eu queria ver vencendo: Ela ou O Lobo de Wall Street.

 

Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)

(dirigido por Alejando G. Iñarritu | EUA, 2014)

Minha nota: ★★★★★★★★★★ [10]

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Riggan é um ator que já foi muito popular como o super-herói Birdman, mas hoje tem dificuldades em se conformar como um ator quase esquecido, fazendo uma peça de teatro na Broadway. Cheio de problemas profissionais e no relacionamento com a filha, Riggan começa a ouvir a voz do seu antigo e famoso personagem Birdman o incitar.

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Birdman é daqueles filmes que, ou você ama, ou você odeia. É um grande exercício de cinema com uma fotografia e montagem absolutamente geniais. Para completar, Michael Keaton – que sim, já viveu o Batman nos anos 1990, um super-herói bem parecido com o de seu personagem neste filme – tem uma atuação quase que visceral. O filme foi aclamadíssimo pela crítica, mas não teve o mesmo sucesso junto ao público. Desbancou o outro favorito, Boyhood, que demorou 12 anos para ser filmado. Aqui temos então um vencedor que reverencia o próprio mundo das artes.

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Achei que mereceu? Sim.

Quem era o principal oponente: Boyhood: Da Infância à Juventude

Quem eu queria ver vencendo: Birdman mesmo. Ou Whiplash.

 

Spotlight: Segredos Revelados

(dirigido por Tom McCarthy | EUA, 2015)

Minha nota: ★★★★★★★★☆☆ [8]

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Uma equipe de jornalistas do Boston Globe investiga o que se tornou um dos maiores escândalos da Igreja Católica: a quantidade absurda de padres pedófilos. Um filme poderoso pelo seu tema delicado e especialmente também pelos personagens de Mark Ruffalo e Michael Keaton, e suas atuações. Será que depois de tudo isso exposto, a fé consegue ser maior que a própria Igreja? Como combater esses abusos?

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Spotlight era, certamente, o filme com maior apelo sociocultural entre os indicados. Por se tratar de uma história real que mexe com algo tão importante quanto a fé e uma das maiores e mais tradicionais instituições que existem, a Igreja Católica, o longa tem toda a força de um problema que precisa ser debatido e combatido. Junte a isso uma direção e um elenco competente, um roteiro consistente (que também levou o Oscar) e voilà, temos um vencedor., Mais uma vez temos como vencedor “um filme importante”.

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Achei que mereceu? Mais ou menos. Havia opções melhores.

Quem era o principal oponente: O Regresso

Quem eu queria ver vencendo: O Regresso

 

 

 

O que a gente tira de tudo isso? É provável que amanhã La La Land: Cantando Estações (o filme que é uma homenagem ao cinema, como O Artista, Birdman e até Argo, que também abrange o tema) ou Moonlight: Sob A Luz do Luar (o filme que é tipo como o importante da temporada, com temática negra, aclamado pela crítica e cheio de temas sociais), seja o grande vencedor. Amanhã vamos falar sobre os possíveis ganhadores de cada categoria, para estarmos todos prontos para a premiação à noite, que será exibida ao vivo no Brasil apenas pelo canal pago TNT, a partir das 21h.

Roseana Marinho

Roseana Marinho

Publicitária, desde a adolescência apaixonada pela sétima arte, opina e debate sobre as obras cinematográficas. Ama literatura, astronomia e história e é tão eclética que faz ballet clássico e kung fu. Nas horas vagas, além dos filmes, também vê muitas séries.

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