Em cartaz: A Chegada

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Dirigido por Denis Villeneuve | EUA, 2016

Nota: ★★★★★★★★★★ [10]

É provável que eu conseguisse fazer um texto de umas 300 palavras só com adjetivos elogiosos para A Chegada, um atrás do outro. Ao invés disso, vou simplesmente dizer: se você gosta de filmes surpreendentes, você vai gostar deste.

A Chegada é um filme que bate em você e deixa a marca, por todos os significados que traz, explícitos ou não. Tenha em mente que os projetos de Denis Villeneuve geralmente possibilitam percepções e discursos que vão muito além do que está ali, preto no branco. São filmes que realmente mexem com o seu cérebro. E Villeneuve demonstra mais uma vez toda a sua maestria na direção de um filme do gênero, com segurança, maturidade e uma sensibilidade ímpar.

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O filme nos leva à história de Louise Banks (Amy Adams). Ela é uma linguista recrutada pelo exército americano para traduzir mensagens alienígenas, após várias localidades do mundo receberem visitas extraterrestres. Começa uma corrida para entender o que querem aqueles seres. Porém, isso é apenas a capa… o conteúdo do filme é muito, mas muito mais do que isso. É aí que o roteiro e a direção adicionam discursos sociais, políticos, enfim, questões humanas que são bem pertinentes a tempos tão estranhos por aqui pelo planeta Terra. O roteirista Eric Heisserer transformou o conto do escritor Ted Chiang em um belíssimo roteiro para a telona. Logo Heisserer, que aparentemente só tinha uns filmes bem meia-boca no currículo.

Para o filme funcionar, também foi essencial a atuação da protagonista. Amy Adams conserva uma naturalidade marcante durante todos os 116 minutos de projeção, dando muita veracidade à história. Até Jeremy Renner, que geralmente me incomoda e muito, aparece muitíssimo bem aqui. Não é um filme que destaca uma grande quantidade de personagens, mas os que estão ali, seguram a história lindamente.

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Mais dois aspectos que merecem ser mencionados são a trilha original e a fotografia. Sem a beleza dessas duas, possivelmente o filme perderia metade do seu encanto. A trilha e a fotografia  fazem o filme crescer ainda mais. São, na verdade, duas das grandes responsáveis pelo clima de tensão que é preservado do início ao fim do longa.

A Chegada é sem dúvidas um dos melhores filmes do ano e tem potencial para se tornar um dos mais importantes filmes de ficção científica da história. Mas, mais do que um filme sobre extraterrestres, A Chegada é um filme sobre seres humanos. Sobre a necessidade de nos comunicarmos de fato, antes de qualquer coisa, de qualquer ação. Sobre como tudo o que parece ser o fim, pode ser apenas o início de um novo tempo.

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Roseana Marinho

Roseana Marinho

Publicitária, desde a adolescência apaixonada pela sétima arte, opina e debate sobre as obras cinematográficas. Ama literatura, astronomia e história e é tão eclética que faz ballet clássico e kung fu. Nas horas vagas, além dos filmes, também vê muitas séries.

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