Em cartaz: Estrelas Além do Tempo

Estrelas Além do Tempo
(dirigido por Theodore Melfi | EUA, 2016)
Nota: ★★★★★★★☆☆☆ [7]

O filme foca em 3 das mulheres negras responsáveis pelos cálculos e outros trabalhos da NASA que levaram os americanos ao espaço nos anos 1960: Katherine Goble (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe). Elas faziam parte de um núcleo separado, formado apenas por mulheres negras, e eram designadas para trabalhos em outros grupos da NASA quando necessário. Foi assim que Katherine Goble se viu envolvida na tarefa de enviar o primeiro americano ao espaço, durante a corrida espacial com a União Soviética, na Guerra Fria.

Enquanto isso, Mary Jackson luta para realizar seu sonho, o qual ela se sente perfeitamente capaz de atingir com muita competência: ser engenheira da NASA. Já Dorothy Vaughan vê com preocupação a chegada do primeiro computador à agência espacial, que faria os cálculos muito mais rapidamente do que humanos, tornando desnecessário o núcleo matemático onde ela e suas companheiras trabalham.

Apesar de ter cenas poderosas ao tratar de temas como racismo e machismo, é provável que muita gente vá odiar o filme. Isso porque o diretor fez algumas escolhas perigosas, que deram um tom meio cômico onde o assunto poderia – e deveria – ser tratado com mais seriedade. Nada contra o humor para tratar de assuntos delicados. Ele também tem seu poder. Mas aqui, a comicidade pareceu diminuir as questões, mais ou menos como aconteceu em Histórias Cruzadas. Felizmente, Estrelas Além do Tempo usa bem menos esse recurso.

Outro ponto que incomoda é uso do personagem de Kevin Costner como grande herói. Se a história realmente tivesse sido dessa forma, seria digna de aplausos. Porém, não foi bem assim: o personagem é uma junção de diversos diretores da NASA na época e, pelo que apurei, nenhum deles chegou a ter posturas tão heroicas assim. Houve mesmo a necessidade de colocar um homem e branco para ser um dos heróis da história do filme.

Mas o longa também traz pontos positivos, aliás, em maior quantidade que os negativos. Além de trazer uma bela história de três mulheres fortes, de personalidade e que jamais desistiram de provar seu valor e sua capacidade, o elenco é forte e não decepciona. Henson e Spencer parecem bem confortáveis em suas personagens e entregam performances excelentes. Inclusive, a primeira poderia tranquilamente também ter sido indicada ao Oscar. Monáe demonstrou maturidade em sua atuação, o que foi uma ótima surpresa. Temos ainda o ótimo Jim Parsons como Paul Stafford, um papel bem diferente de tudo o que eu já o vi fazer, mas que ele interpreta com segurança. Mahershala Ali e Kirsten Dunst completam a parte mais conhecida do elenco.

Estrelas Além do tempo também apresenta uma fluidez satisfatória no seu ritmo de seu roteiro. Foram feitas ainda boas escolhas de fotografia, com uma paleta de cores bem interessante. No mais, é um filme correto, embora possa parecer superficial aqui e ali. Mas funciona. E emociona.

 

Indicado a 3 Oscars:

Melhor Filme

Melhor Atriz Coadjuvante (Octavia Spencer)

Melhor Roteiro Adaptado

Roseana Marinho

Roseana Marinho

Publicitária, desde a adolescência apaixonada pela sétima arte, opina e debate sobre as obras cinematográficas. Ama literatura, astronomia e história e é tão eclética que faz ballet clássico e kung fu. Nas horas vagas, além dos filmes, também vê muitas séries.

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