Em cartaz: Kong: A Ilha da Caveira

(dirigido por Jordan Vogt-Roberts | EUA, 2017)
Nota: ★★★★★★☆☆☆☆ [6]

Querido Billy,

Ontem assisti a um filme sobre um símio gigante que vive em uma ilha onde acreditava-se que ninguém tinha ido ainda (ou, pelo menos, ninguém tinha voltado para contar). Aliás, essa ilha tem muitas criaturas estranhas. Mas não vou te dar muitos detalhes, afinal, sei que você detesta spoilers. Vou apenas dizer que o filme é um pipocão divertido com ótimos efeitos especiais. É legal.

kong

Mas, Billy, apesar de o filme ser divertido, deu uma pena danada de ver aquele elenco de primeira linha sendo desperdiçado em personagens tão esquecíveis. O personagem do Samuel L. Jackson chegou a me irritar um pouco de tão caricato. Faltou um heroísmo mais impactante no James Conrad vivido pelo Tom Hiddleston. E é melhor eu nem começar a falar da falta de função real para a personagem da Brie Larson, que parece estar ali apenas para balançar sua cabeleira no melhor estilo “acordei sexy”, usar uma roupa que valoriza seu físico ficando até semelhante a uma Lara Croft, e ser uma figura mais frágil por quem o Kong pode se afeiçoar. Aparentemente é obrigatório que seja uma mulher. Pois é, Billy. Tirando o personagem do John C. Riley, que ainda é mais interessante, o restante é tão raso que faz um pires parecer profundo como uma piscina olímpica. Nem o próprio Kong tem lá muita personalidade. Pena.

kong

Apesar disso, o filme não chega a passar vergonha e dá para se divertir. É tudo muito bem feito, muito bem filmado. Acaba empolgando em algumas cenas. Billy, eu vou te falar uma coisa: o filme podia ter até uns 10 minutos a mais, para não parecer tão apressado e abrupto em algumas partes. Isso talvez evitasse alguns furos. Mas os furos não chegam a ser constrangedores e, pelo menos, o nível de diversão que o filme promete, cumpre.

Ainda assim, fica aquela sensação de que ele poderia ter sido mais do que apenas um filme divertido, sabe, Billy? Mais ou menos como Planeta dos Macacos (exceto o de 2001, do Tim Burton, que não salva nada) consegue provocar uma certa reflexão sobre a humanidade e a nossa relação com a natureza e seus demais seres. Eu lembro que os outros filmes do King Kong chegam a propor isso também. Mas aqui, não. Você vai se divertir muito vendo o filme, Billy. Mas é provável que depois que sair da sala de cinema, vai ficar com a mesma sensação que eu: a de que assistiu um filme oco. E vai esquecê-lo em breve.

 

Observação ao leitores: Se você ainda não assistiu ao filme, só vai entender o “Querido Billy” depois que assistir. 😉

Roseana Marinho

Roseana Marinho

Publicitária, desde a adolescência apaixonada pela sétima arte, opina e debate sobre as obras cinematográficas. Ama literatura, astronomia e história e é tão eclética que faz ballet clássico e kung fu. Nas horas vagas, além dos filmes, também vê muitas séries.

roseanam has 30 posts and counting.See all posts by roseanam

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *