Em cartaz: Logan

(dirigido por James Mangold | EUA, 2017)

Minha nota:  ★★★★★★★★★★ [10]

 

Quando pensamos em filmes de super-heróis, de forma generalizada, nos vêm logo à mente cenas cheias de efeitos especiais e uma carga emotiva que, na maioria das vezes, acaba sendo bem “menos importante” que a ação – ou que raramente é o foco. Pensamos também em roteiros mais ou menos previsíveis, maniqueístas, onde o bem sempre vence o mal no final. E, apesar da ação e da violência, vocês já repararam como a maioria dos filmes de super-heróis é limpinho?

Claro que temos exemplos de longas que se distanciaram pelo menos um pouco dessa fórmula, como a trilogia do Batman dirigida por Christopher Nolan, o Watchmen de Zack Snyder e, mais recentemente, o escrachado Deadpool, de Tim Miller. Mas a nova história do X-Men mais amados de todos, o Wolverine, consegue se distanciar ainda mais do caminho habitual, e o Logan de James Mangold vai muito além do típico filme de super-herói.

Nos parágrafos a seguir, evitei spoilers grandes, mas pode ser que algumas partes entreguem mais do que alguém que não viu o filme queira saber (principalmente na parte em que explico por quê Logan é tão diferente).

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A História

O filme se passa em 2029. Vemos um Logan (Hugh Jackman) mais envelhecido, grisalho, trabalhando como chofer em El Passo, na fronteira com o México. Os mutantes foram quase que erradicados da face da Terra e há anos já não se tem notícias do nascimento de uma criança com habilidades especiais. A regeneração de Logan já não acontece na mesma velocidade e ele sente alguns sinais da idade. Xavier (Patrick Stewart), por sua vez, precisa viver escondido por seu amigo de longa data, por motivos de segurança.

Aparece então a enfermeira Gabriella (Elizabeth Rodriguez), implorando para que Logan a ajude a proteger a garotinha Laura (Dafne Keen) de ser levada pelo projeto Transigen. Logo nosso Wolverine descobre que Laura tem muito mais em comum com ele do que ele poderia esperar: a menina e a arma X-23 e tem seu DNA. Eles precisam chegar à Dakota do Norte, onde haveria um lugar seguro para ela.

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Logan, Laura e Xavier partem em uma viagem pelo meio-oeste americano, com a Transigen em seu encalço.

Mas por que é tão diferente?

Apesar de outros filmes do Wolverine e da franquia X-Men já terem nos mostrado o lado emotivo de Logan, ele geralmente se resumia a um momento ou outro relacionados à dificuldade do herói com seu passado, quando teve adamantium colocado em seu corpo, ou ao seu romance quase platônico com Jean Grey e o final trágico. Aqui, descemos mais algumas camadas através da relação dele com Xavier e principalmente com Laura. A amizade entre ele e o professor já nos dá uma sensação de eles são como uma família. Com a chegada de Laura, por mais que Logan relute em se afeiçoar à garota, ele vê uma pessoa que passou pelo mesmo que ele. Ou seja, a carga dramática do filme é mais intensa do que o habitual em filmes do gênero (e se eu explicar mais que isso, posso entregar demais).

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Outro ponto a favor de Logan é que, ao contrário da maioria dos filmes inspirados em HQ, que consegue uma classificação no máximo 12 anos, Logan é indicado para maiores de 16 anos. Isso permitiu cenas muito mais intensas, sangrentas e até chocantes. É de ficar estático na cadeira sem sequer piscar para não perder um movimento. E o melhor: ainda que seja bem violento, não há uma única cena gratuita, que sirva apenas para saciar a sede de ação de muitos fãs: todas se encaixam perfeitamente no contexto da história e no desenvolvimento dos personagens.

A multiplicidade de questionamentos de Logan ficam o tempo todo bem exposta: salvar Laura? É possível salvar os mutantes? Vale a pena? Ir embora? Fugir de tudo como sempre quis? O espectador se sente quase na mente do personagem e vive com ele cada decisão e cada dúvida.

Mutantes cheios de humanidade, é o que vemos aqui.

 

2D!

Por último, outra grande vantagem: Logan não foi convertido para 3D, conservando a fotografia belíssima sem escurecimentos. Aliás, não há nem necessidades de encher mais os olhos do público quando um filme consegue mexer tanto com a mente. E com o coração dos fãs.

Roseana Marinho

Roseana Marinho

Publicitária, desde a adolescência apaixonada pela sétima arte, opina e debate sobre as obras cinematográficas. Ama literatura, astronomia e história e é tão eclética que faz ballet clássico e kung fu. Nas horas vagas, além dos filmes, também vê muitas séries.

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