FORMAÇÃO DO DOCENTE PARA O USO DAS TECNOLOGIAS

Vivemos em um mundo tecnológico, onde integrar novas tecnologias à sala de aula na rede pública de ensino no Brasil é pouco frequente e tornou-se um grande desafio para os docentes. O desenvolvimento das tecnologias da informação e comunicação (TICs) nos últimos anos tem causado forte impacto em diversas áreas da atividade humana, entretanto, na maioria dos casos, as transformações não têm se refletido dentro do ambiente escolar onde, na formação, não é usual considerar essas tecnologias e comumente se restringe ao sistema tradicional e teórico.

Dessa forma, o professor precisa buscar reciclar-se para o uso dessas novas tecnologias em outros espaços. Pozo (2008) entende que embora seja dito que vivemos em uma sociedade do conhecimento, o acesso a esse conhecimento culturalmente gerado não é fácil. Na rede pública de ensino, alguns aspectos podem tornar essa aprendizagem e o domínio dessas tecnologias insuficientes, como exemplo podemos citar: a falta de condições estruturais das escolas; a carga excessiva de horas trabalhadas; e a não oferta aos educadores de formações continuadas de forma adequada.

É importante e até mesmo fundamental que os professores sejam inseridos no processo tecnológico. Contudo, muitos docentes não foram formados para atuar com o apoio de todo o aparato tecnológico disponível atualmente durante a sua formação acadêmica e muitos não tiveram acesso às capacitações relativas ao uso acadêmico e pedagógico das TICs.

Surge um contexto no qual os professores que atuam na rede de ensino precisam se inserir no processo tecnológico. Mas eles não foram preparados durante a sua formação acadêmica e/ou não tiveram formações continuadas – ou tiveram de forma insuficiente.
Em relação à formação continuada de professores, Libâneo (2004) vai nos dizer que
o termo formação continuada vem acompanhado de outro, a formação inicial. A formação inicial refere-se ao ensino de conhecimentos teóricos e práticos destinados à formação profissional, completados por estágios. A formação continuada é o prolongamento da formação inicial, visando o aperfeiçoamento profissional teórico e prático no próprio contexto de trabalho e o desenvolvimento de uma cultura geral mais ampla, para além do exercício profissional (LIBÂNEO, 2004, p.227).

Apesar das dificuldades enfrentadas, muitos educadores sabem o potencial dessas ferramentas e têm procurado levar novidades para dentro da sala de aula, tais como a utilização da sala de informática, data-show, tablets, aula em vídeo conferência, e-mails, grupos no WhatsApp, entre outras.

O uso das TICs em sala de aula podem aproximar alunos e professores, além de tornar as aulas mais atraentes, participativas e eficientes. Essa tecnologia também pode auxiliar o professor na busca por conteúdos a serem trabalhados e servir como ferramenta facilitadora do processo de ensino-aprendizagem.

Dessa maneira, o professor deixa de ser o detentor do saber “absoluto” e passa a gerenciar as informações, que algumas vezes podem até causar atritos na relação professor-aluno caso o excesso de informações disponíveis não seja bem gerenciado pelo professor. Por isso, os profissionais da educação devem ter clara compreensão que hoje presenciamos a existência de um novo contexto social, no qual necessitamos nos adaptar, participando da construção de uma consciência social ética e responsável no uso das tecnologias por parte dos docentes e discentes. De acordo com Masetto (2000, p.144), “é importante não nos esquecermos de que a tecnologia possui um valor relativo: ela somente terá importância se for adequada para facilitar o alcance dos objetivos e se for eficiente para tanto”.

Hoje, o professor não centraliza as informações, ele coordena o processo de aprendizagem. Seu objetivo deve ser de estimular e sensibilizar os alunos para a importância da busca do conhecimento interrelacionado com o contexto social. Ensinar utilizando essas novas tecnologias exige do professor uma atitude diferente da convencional. Precisa-se enfrentar paradigmas que envolvem um sistema de ensino ultrapassado, fundamentado em somente em teorias de ensino-aprendizagem. O educador precisa encontrar caminhos adequados ao momento histórico que se vive. Deve-se repensar e adequar o papel que a escola deve desempenhar no processo de construção do conhecimento, redimensionando o papel que o professor deve exercer na formação do cidadão.

A utilização de uma infraestrutura adequada para utilização dos recursos tecnológicos na educação depende da execução de um planejamento e investimento significativos e para obtenção do sucesso deverá privilegiar a formação do docente.

Como a formação inicial não é suficiente para a qualificação profissional faz-se necessário que o Estado desenvolva e promova políticas públicas permanentes que visem à valorização e a formação continuada dos docentes e demais integrantes das equipes pedagógicas que compõem as escolas públicas. A escola deve primar na busca de um modelo de educação moderno e participativo, acompanhando os avanços da tecnologia de forma a atender às necessidades dos estudantes, respeitando as especificidades de cada região.

Neste contexto, a escola, como instituição responsável para promoção da interação entre alunos e professores, deverá estar sempre comprometida com a educação, incentivando o diálogo participativo, democrático e constante, estimulando a criatividade e o aprendizado através do conhecimento construído gradativamente através de uma relação mútua de troca e respeito entre alunos e professores, com a finalidade da formação integral com base no desenvolvimento de valores humanos e de uma consciência ética, crítica, autônoma e responsável do cidadão.

Obs: Essa matéria é parte integrante do artigo “O USO DAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TICS) NO PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM” de minha autoria.

Referências:
LIBÂNEO, Jose Carlos. Organização e Gestão da Escola – Teoria e Prática. 5ª Ed. Goiânia. Editora: Alternativa. 2004.

MASETTO, Marcos T. Mediação pedagógica e o uso da tecnologia. In MORAN, José Manuel, MASETTO, Marcos T. & BEHRENS, Marilda Aparecida. Novas tecnologias e mediação pedagógica. Campinas, SP: Papirus, 2000.

POZO, Juan Ignácio. A sociedade da aprendizagem e o desafio de converter informação em conhecimento. Disponível em: acesso em: 06 de dez. 2014.

Henrique Lopes

Henrique Lopes

Formado em biologia (UFAL) com especialização em Engenharia Ambiental (CESMAC) e mestrando em Ciências da Educação.

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2 thoughts on “FORMAÇÃO DO DOCENTE PARA O USO DAS TECNOLOGIAS

  • 06/12/2016 at 3:55 pm
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    Caro escriba, muito interessante a abordagem do tema supracitado. Mas acredito que, apesar da tecnologia (de forma geral como está sendo abordada nesse texto) ser algo novo, e causar um certo desconforto para alguns docentes, a educação de hoje deveria estar voltada para o estímulo ao aluno, uma vez que, o padrão atual só doutrina. Lógico que, estamos (no cenário nacional) super ultrapassados no quesito educação, mas, além o fato de os docentes precisarem serem melhor formados, e os que estão na ativa, reciclados, o modelo de educação atual deveria permitir que os alunos tenham, nem que seja mínima, uma experiência na prática com o conteúdo que deverá ser absorvido.

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  • 07/12/2016 at 6:48 pm
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    Esse artigo vem num momento muito apropriado para que possamos refletir sobre novos caminhos para educação e a importância do investimento nesse setor, dando ênfase na capacitação e qualificação dos docentes, especialmente em nossa Alagoas que recentemente obteve pela segunda vez consecutiva o pior Ideb – índice de Desenvolvimento da Educação Básica – nas redes de ensino estadual em relação a todo país aprendizado. Parabéns pelo artigo.

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