Indicado ao Oscar: A Qualquer Custo

A Qualquer Custo
(dirigido por David Mackenzie | EUA, 2016)
Nota: ★★★★★★★★★★ [10]

Texas, Estados Unidos. O rancho da família Howard está ameaçado de ser tomado pelo banco, por conta de dívidas que se empilham. Os dois irmãos Howard precisam salvar sua propriedade. Um dele é Toby (Chris Pine), um pai de família divorciado que, além das dívidas do rancho, precisa dar algum dinheiro a sua ex-mulher e ajudar a criar os filhos. Ele se junta ao irmão mais velho, Tanner (Ben Foster), um ex-presidiário destemido e que parece amar a adrenalina da vida criminosa, em uma grande missão: roubar várias agências do próprio banco que pode se tornar proprietário do rancho, para pagar as dívidas.

Do outro lado, as autoridades começam a caçar essa dupla de misteriosos assaltantes, que sempre escolhem agências do mesmo banco e em cidades pequenas pelo estado do Texas. Um dos guardas é ácido e teimoso Marcus Hamilton (Jeff Bridges), que está próximo de se aposentar. Seu parceiro nessa empreitada é Alberto Parker (Gil Birmingham), um homem calmo de origem indígena que sempre vira alvo das piadas de Hamilton.

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Personagens e trama devidamente apresentados, podemos entrar no mérito da qualidade do filme, que começa pela direção, montagem e fotografia. David Mackenzie está de parabéns. A forma como o longa foi filmado e montado, os planos, as sequências… é tudo tão bom, bonito e bem feito, que dá gosto de ver. Só com esses itens, a atenção do espectador já é fisgada. As escolhas do roteiro reforçam isso e tornam tudo ainda melhor. É utilizada a estratégia de explicar o injustificável para que o próprio espectador decida o que é certo, errado, necessário ou não, justiça ou injustiça – se vai criar empatia com os policiais, com os irmãos ou com ambas as duplas dessa caçada. A grande genialidade é que o filme funciona bem não importa o lado que você escolha.

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E para que o roteiro funcione dessa maneira, foi essencial a ótima atuação do elenco. Até mesmo Chris Pine, que geralmente não mostra nada de extraordinário, está bem como o angustiado Toby. Foster também vive o inconsequente Tanner com muita naturalidade. Mas o destaque mesmo do filme, tanto que foi indicado ao Oscar por sua atuação, é Jeff Bridges. Bridges constrói aqui um personagem complexo e cheio de detalhes: a voz, o sotaque, o jeito de andar. A dupla que ele forma com Gil Birmigham acaba sendo muito carismática, do seu jeito tão particular, que é uma delícia vê-los em cena.

A Qualquer Custo (que, ufa!, teve o título traduzido para uma expressão equivalente ao original Hell or High Water) é visualmente impecável e, ao seu modo, traz reflexões sobre justiça, dinheiro, vingança… o capitalismo selvagem e o lado humano. É um filme simplesmente maravilhoso.

 

Indicado a 4 Oscars:

Melhor Filme

Melhor Ator Coadjuvante (Jeff Bridges)

Melhor Roteiro Original

Melhor Montagem

Roseana Marinho

Roseana Marinho

Publicitária, desde a adolescência apaixonada pela sétima arte, opina e debate sobre as obras cinematográficas. Ama literatura, astronomia e história e é tão eclética que faz ballet clássico e kung fu. Nas horas vagas, além dos filmes, também vê muitas séries.

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